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Dani Alves e São Paulo: divórcio esperado para um casamento trágico

Relação entre clube, jogador e torcida foi recheada de erros desde o princípio. Contratação se prova mais uma mácula da Era Leco

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net


Daniel Alves não joga mais pelo São Paulo. O anúncio do rompimento, feito pelo clube nesta sexta-feira (10) por meio das redes sociais, em pronunciamento do diretor de futebol, Carlos Belmonte, acompanhado do executivo de futebol, Rui Costa, e do coordenador de futebol, Muricy Ramalho, não pegou a todos de surpresa. Pelo contrário.


Devido à dívida do clube com o jogador, que no momento da publicação deste texto gira em torno de R$ 18 milhões, a relação entre as partes, permeada pelo acumulado ranço dos torcedores para com o atleta, esfacelou-se. As propostas feitas pelo São Paulo visando a quitação dos débitos foram recusadas por Daniel e seu staff, que anunciou: ou o SPFC paga a dívida, ou o atleta não se reapresentaria à Barra Funda.



Este blog não irá perder tempo discutindo se Alves tem razão ao cobrar o que lhe é devido - pois é óbvio que o atleta está correto. Mas não nos enganemos: como a maioria das narrativas no mundo do futebol, essa não é uma história de mocinhos e vilões. Todos têm uma parcela de culpa - incluindo até a imprensa e a torcida.


O casamento entre Dani Alves, São Paulo e torcida é trágico do início ao final, e, por isso, não poderíamos imaginar outro desfecho. O maior culpado: o próprio São Paulo. Um clube que atravessou sua pior década nos anos 2010, comandado por dirigentes que pareciam ter como principal objetivo destruir uma história tão gloriosa.


O fiasco Dani Alves passa pelas mãos já bastante emporcalhadas de Leco, pior presidente da história do São Paulo Futebol Clube, que gastou rios de dinheiro em contratações inexplicáveis. O "atleta do mundo" é apenas um de uma lista que facilmente poderia montar uma equipe com times titular e reserva, recheados de jogadores caros e que pouco produzem em campo.


Dani Alves também veio com aval de Raí, Alexandre Pássaro, Lugano. Dirigentes que conduziram o São Paulo com a mesma competência de um motorista de ônibus iniciante em um veículo sem freios e descendo uma ladeira. Uma contratação impagável, feita por um clube sem dinheiro e muito menos austeridade. Praticamente um case de como não contratar um jogador com tanto prestígio. Só poderia terminar em tragédia.


Onde estão os tais "investidores" propalados por Leco e sua trupe, aqueles "parceiros" que pagariam o custo Dani Alves? Hoje, sabemos, esses investidores inexistem, e a tenebrosa e nada transparente Gestão Leco poderia ter sido mais cobrada, tanto pela imprensa, quanto pela torcida, hoje mais atenta e menos iludida quanto à situação financeira do clube.


Sobre o atleta, aquele que disse outro dia, mesmo prestes a receber uma medalha olímpica - e dourada! -, que "não falhou com o São Paulo", não só cometeu muitos erros, como demonstrou ter um ego maior que a própria bola que vinha jogando. Colecionou polêmicas (muito bem listadas em uma thread feita pela jornalista Vitória Berçot) e desrespeito à instituição e aos torcedores.


Daniel angariou não só a antipatia da torcida que conduz, como também apelidos, muito difundidos (especialmente no Twitter): "batuqueiro" e "pagodeiro", referências ao episódio do tantan, agravado pela lesão de Daniel, pela partida de vida ou morte que o Tricolor faria pela Libertadores 2020, e pelo momento delicado da pandemia à época.


E a alcunha mais famosa e recente, "vovô olímpico", sobre a ida às Olímpiadas de Tóquio, com o SPFC na zona de rebaixamento do Brasileirão 2021 e prestes a digladiar em Libertadores e Copa do Brasil. A convocação contou com o requinte de um vídeo publicado nas redes sociais do clube, no qual agradecia o São Paulo pela oportunidade de realizar dois sonhos ao mesmo tempo, o de vestir a camisa tricolor, e o de disputar os Jogos do Japão.



Não podemos esquecer: um jogador que sempre foi um coadjuvante acima da média, chamou para si uma responsabilidade inédita, vestindo uma camisa 10 histórica - que já foi de Raí, Zizinho, Pita e Pedro Rocha -, da qual jamais esteve à altura. Portanto, escolheu a camisa que vestiria.


Escolheu também a posição que jogaria (volante ou lateral?). Escolheu o treinador (Fernando Diniz, o bom formador de amantes). Escolheu até o local onde sua braçadeira de capitão deveria estar: no pulso - prática abolida desde a chegada da nova diretoria em 2021, de Hernán Crespo, do exemplar capitão Miranda. Escolhas demais para um cara só. Daniel Alves também contribuiu, com muitos ingredientes, para o fracasso deste matrimônio.


Frustração para a torcida. Mas é inegável que o fim desse casamento trágico traz alívio, talvez para todas as partes. O vínculo se encerra, ficam as dívidas e, quiçá, disputas na Justiça. R$ 18 milhões, e contando.

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