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Fortaleza sai da boca do tubarão nos acréscimos e garante empate no Cearense

Foto: @ferroviarioac no Instagram.

Pela penúltima rodada da fase de grupos do Campeonato Cearense, o Ferroviário recebeu o Fortaleza para o primeiro clássico de ambas as equipes no ano no Presidente Vargas. O principal destaque da partida era a estreia do treinador Mauricio Copertino, enquanto o tricolor de aço buscava fazer uma partida bem superior em relação ao que foi no fim de semana diante do Iguatu.


O JOGO

A equipe coral mostrou seu cartão de visitas logo aos cinco minutos de jogo. Em uma jogada bem trabalhada, Gabryel Martins acha um bom passe para Vinícius Alves abrir o placar no PV. O mérito do Ferrão em não se acanhar e saber explorar as falhas do rival pode ter surpreendido uma boa parte dos telespectadores da partida.


Com 1x0 no marcador, o Ferroviário se recolheu em bloco bem baixo, fechando as linhas principalmente em cima de Kauan e Luquinhas, os expoentes de armação do Fortaleza, além de marcar duplamente o lado esquerdo, impedindo que Bruno Pacheco subisse ao ataque e que Moisés fizesse bons cortes para dentro da área.


Pela direita, como Pikachu joga por dentro quando o tricolor tem a posse, Tinga e seus nada assertivos cruzamentos foram fáceis de marcar, precisando apenas impedir que o lateral avançasse para dentro da área. Com uma tática bem estruturada, o Ferroviário basicamente desligou qualquer possibilidade do Fortaleza armar ataques decentes, tanto que o clube não obteve finalizações perigosas durante os 45 minutos iniciais.


Como o futebol também é feito de ataques, César Sampaio e Lincoln foram fundamentais ao distribuírem bem a bola através do passe longo, onde Vinicius e Gabryel sempre exploravam as costas dos laterais que aquela altura estavam preocupados apenas em tentar empatar o jogo.


Ciel teve uma partida bem mais discreta e tática hoje. Preocupado apenas em "cozinhar o jogo" o camisa 99 foi importante não só para prender a bola, como também para desviar a atenção da dupla Britez e Cardona em contra-ataques, sendo assim possível que o Ferroviário chegasse com superioridade numérica ao ataque.


Mesmo com a enorme superioridade técnica, o Fortaleza é lotado de falhas estruturais bastante preocupantes, que foram totalmente escancaradas contra o América e agora contra o Ferroviário. A mais incomoda é a inexistente articulação de meio-campo, onde o clube fica lateralizando seu jogo excessivamente pois é incapaz de construir por dentro quando enfrenta um bom ferrolho.


Alguns irão falar que é deficiência técnica, mas sábado, ficou escancarado que nem Calebe consegue atuar quando o centro do campo é bem encaixotado, e isso gera um gigantesco efeito dominó, onde nomes como Moisés e Pikachu são extremamente sobrecarregados e monopolizam a posse por falta de opções na cancha.


Os centroavantes também estão sendo bastante prejudicados com o time sem ter "condições de respirar" no terço final do campo. Tanto Lucero quanto Galhardo fazem temporadas abaixo do que seu nível técnico habitual, muito por causa de sempre ficarem encaixotados entre dois zagueiros e concomitante a isso, não terem capacidade de armarem suas próprias jogadas ou de ao menos receberem a bola.


Com muito provavelmente o pior primeiro tempo desses cinco jogos, o Fortaleza desceu ao vestiário precisando de uma preleção daquelas, enquanto o Ferroviário fazia até aquele momento, sua melhor atuação no ano e muito provavelmente uma partida no nível de Paulinho Kobayashi e o time que foi campeão invicto da Série D.


Para o retorno da segunda etapa, Vojvoda fez uma alteração seis por meia dúzia e introduziu Imanol Machuca no lugar de Moisés. Ao menos, Machuca foi mais incisivo e objetivo, além de buscar mais a linha de fundo do que seu antecessor. Outra mudança notória foi que Bruno Pacheco ficou mais resguardado, jogando de terceiro zagueiro, enquanto Tinga infiltrava mais na área.


Já não bastando o time ficar totalmente preso as alas, para piorar ele ficou totalmente unilateral, com o argentino Machuca sendo sobrecarregado excessivamente, só tendo apoio quando foram promovidas as entradas de Kervin Andrade e Tomás Pochettino, gerando mais controle de bola e passes um pouco mais verticais.


Os donos do mando, foram competitivos até onde deram e conforme as alterações foram ocorrendo, o time foi perdendo ritmo e os contra-ataques ficaram escassos, a defesa já não era tão bem compactada e Ciel ficava sozinho do meio para frente. Douglas Dias teve que aparecer bastante depois dos 20 minutos da segunda etapa e fazer algumas boas defesas.


Lucero entrando e jogando simultaneamente com Galhardo foi uma prova de que a equipe estava totalmente desinteressada em jogar de maneira competitiva e que o "abafa" seria a tônica do jogo até ali. Nem a entrada de Marinho, no lugar do próprio Galhardo, foi suficiente para que o time gerasse finalizações por dentro ou qualquer mínimo lampejo individual.


Como diz o velho ditado "Agua mole, pedra dura, tanto bate até que fura", o Fortaleza de tanto armar bola na área acabou encontrando em um bate rebate a chance do empate. A bola passeou pela cabeça de todo mundo, até sobrar nos pés de Imanol Machuca, que armou o chute, contou com desvio e empatava o clássico das cores no Presidente Vargas.


Entre vaias e descontentamentos, o jogo acabou 1x1 escancarando os mesmo problemas que o Fortaleza apresenta há 4 temporadas, contudo, não é um cenário de terra arrasada, já que o clube obviamente joga em outra rotação no inicio de temporada e os clubes da série A não devem aplicar um anti-jogo tão forte. O que tem de se preocupar mesmo são com os índices de lesões, já que Calebe, principal nome do meio campo, já contraiu uma lesão seria sem nem ter feito uma longa sequência de jogos.


Entre os pouquíssimos pontos positivos que da para se extrair do Fortaleza, fico com Machuca, Kervin e Kauan. O argentino por apresentar uma melhora significativa, se apresentar mais ao jogo e ter sido coroado com o gol. Obvio que ainda lhe falta uma melhor noção de ultimo passe e finalização, mas se mostra bem mais maduro do que na temporada anterior e que pode render bons frutos.


Kervin Andrade entrou mais uma vez e por mais que não tenha feito sua melhor partida, longe disso, teve personalidade em campo. Diferente de alguns jovens que sentem a pressão de não entrarem em jogos tão favoráveis ao seu desenvolvimento, o venezuelano buscou jogo todos os minutos na qual esteve em campo, tentou criar mais que cruzamentos mal feitos e arriscou alguns bons chutes. Fazendo uma análise bem superficial, se mostra a frente de Luquinhas no duelo pela posição.


O último a ser destacado é Kauan Rodrigues., o volante de 20 anos é mais um dos garotos da Copinha integrados ao profissional. Com muita qualidade na saída de bola, atua como um 8 que carrega a posse, lembrando em alguns momentos Caio Alexandre, contudo, teve de se desdobrar quando foi deslocado para primeiro volante. Mostrando muita calma, venceu quase todos os duelos contra Ciel e deixou o Fortaleza mais à vontade para atacar.


Do lado do Ferroviário, apesar do gosto amargo do empate nos acréscimos, a equipe deve ficar satisfeita quanto a seu desempenho na partida. Sólido, inteligente com a bola e veloz nos contra-ataques, o time soube ser competitivo contra uma equipe de primeira divisão e realizou sua melhor exibição em 2024.


Mauricio Copertino mostra que esse elenco ainda tem muita lenha para queimar, necessitando de algumas peças pontuais, como: Um jogador que faça sombra para o camisa 99 Ciel, e um meio campista central mais intenso, que participe mais do jogo e tire a responsabilidade da criação das costas dos volantes. O Ferrão finalmente se encontra na temporada e vê horizontes bastante positivos.


O Fortaleza é líder do seu grupo no Cearense, com 10 pontos. O leão enfrentará o CRB no domingo (11) e o River do Piauí na quarta-feira (14), ambos jogos pela Copa do Nordeste. Pelo Cearense, fecha a primeira fase do torneio no sábado (17), contra o Ceará.


Já o Ferroviário se encontra em terceiro lugar no seu grupo, com 7 pontos e terá 15 dias de folga até enfrentar o Marcanã, no sábado (17), em confronto válido pela ultima rodada do estadual e valendo liderança do grupo.






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