MÁQUINA RUBRO-VERDE: Portuguesa vence com dois a menos e segue embalada na série A2
- Pedro Hernandes
- 17 de fev. de 2022
- 4 min de leitura
Portuguesa vence Juventus por 1 a 0 com gol de Patrick e se isola na liderança do Campeonato Paulista A2.

A quarta-feira à noite foi marcada por um duelo de gigantes na série A2 do Campeonato Paulista. Portuguesa e Juventus se enfrentaram no Canindé, às 20h, em São Paulo, no famoso "Dérbi dos Imigrantes", em duelo válido pela sétima rodada do campeonato e que colocou frente a frente a líder e o vice-líder.
Duas das equipes de maior tradição no futebol paulista, disputando um jogo que sempre atrai os olhares do bom amante do mundo da bola. É dia de futebol raiz. O bolinho de bacalhau do Canindé versus o Cannoli da Rua Javari. É dia de clássico, apesar de os torcedores lusitanos nem considerarem esse confronto de tal maneira, como nos diz Arthur Marin, de 15 anos, da página @insta_rubroverde :
"A gente considera clássicos jogos contra Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, por exemplo, que são adversários que sempre tiveram uma rivalidade em nossa história. Mas, infelizmente, com a atual situação da Portuguesa, eu acho que a torcida do Juventus encontrou um adversário que está no 'seu nível' em questão de competição, como a Série A2 e cria uma rivalidade. Mas para mim e para 99% da torcida rubro-verde, Portuguesa e Juventus não é clássico. Imagino que a Lusa voltando ao lugar onde nunca devia ter saído, e o adversário vai até esquecer essa história e encontrar um outro time para chamar de clássico."
Como já era esperado, clássico ou não, o clima foi de tensão. A Portuguesa saiu na frente - no único gol da partida - aos 15 minutos da primeira etapa, com cobrança de falta de Daniel Costa e cabeçada do zagueiro Patrick Sousa no fundo do gol. Festa Rubro-verde. No lance seguinte, o lateral-esquerdo da Lusa, Eduardo Diniz, fez falta em Negueba e, logo após o atacante ter caído, pisou nas costas dele e acabou sendo expulso. Vinte minutos de jogo e a equipe mandante já estava com um jogador a menos. O jogo ficava quente, eram faltas atrás de faltas. Foi na base da superação. Apita a árbitra. Fim do primeiro tempo. Portuguesa 1 x 0 Juventus.
No intervalo, hora de descer as escadas, ir ao banheiro, passar na cantina e comprar um bolinho de bacalhau. Voltar, sentar, apreciar e relaxar enquanto se faz uma prece para Nossa Senhora de Fátima ajudar a equipe a sair vitoriosa.
Quinze minutos de intervalo se passam e começa a etapa complementar. E para não perder o costume, desempenhando muito bem o seu papel como organizada, a Leões da Fabulosa não para um minuto sequer de apoiar o time, contagiando o estádio inteiro, de modo que os 3.040 pagantes que estiveram ali presentes cantassem tão alto a parecer o triplo de vozes que ocupavam as arquibancadas do estádio que, com marcas de desgaste, simboliza a história contida ali ao longo dos anos. O Canindé vira um caldeirão.
Bem organizada pelo treinador Sérgio Soares e muito sólida defensivamente, a cascuda Portuguesa fechava a baliza e saia em contra-ataque rápido em raras oportunidades para tentar matar a partida. O adversário, Juventus, comandado por Tuca Guimarães, tentava, mas nada produzia. Para dar mais velocidade e profundidade a equipe, a fim de tentar explorar os espaços da Portuguesa, naquela altura ainda com um a menos, o treinador juventino colocou Masson, jovem de 19 anos, revelação da Copa São Paulo de Futebol Jr. do Moleque Travesso. Aos 34 minutos, Masson partiu para a cima da zaga Rubro-Verde e foi derrubado em uma entrada violenta pelo zagueiro Luizão Barba, que chegou rasgando e levou o cartão vermelho. Faltavam 10 minutos para o apito final, mais os acréscimos dados pela árbitra Daiane Muniz, somados à angústia de ter dois jogadores a menos e muita bola para rolar, já que no futebol nada é impossível e enquanto tiver 99% de chance, os torcedores terão 1% de fé. O coração dos torcedores da Portuguesa bate mais rápido. Restavam os 10 minutos (sem contar os seis que foram acrescidos depois devido às longas paralisações) mais longos e sofridos que nem mesmo no mais belo roteiro poderia estar escrito. Apenas um amendoim jogado pelo ambulante, conhecido como "Frite", para aliviar a tensão.
FIM DE PAPO! Vitória suada. 1 a 0 é goleada. O Canindé transbordava de alegria e a torcida ecoava o canto que virou mantra nos últimos anos na tentativa de acesso à A1 do Paulista: AAAAAHH, VAMOS SUBIR LUSA! VAMOS SUBIR LUSA! VAMOS SUBIR LUSA! No ribombar do apito final, diversos estranhos se abraçam para celebrar a vitória como se fossem amigos há anos, mas que de fato poderiam realmente ser. Amigos de arquibancada. Amigos lusitanos. Amigos unidos em prol de uma única causa: torcer e apoiar a Portuguesa de Desportos até o dia em que a morte os separem.
Se o time mais português dos brasileiros conseguirá ou não o acesso, só descobriremos no decorrer do campeonato, ainda há muito trabalho pela frente, mas o que importa é ver o torcedor com brilho nos olhos e com o "Orgulho de ser Lusa" no peito, esperançosos que dias melhores virão e que sua equipe está cada vez mais madura. Não há nada melhor do que (re)conquistar o seu torcedor.

A máquina Rubro-verde segue nos trilhos, pronta para soltar fumaça na estrada que tiver pela frente. No Paulistão A2, são 19 pontos (de 21 disputados), com seis vitórias e um empate, 14 gols marcados e um sofrido, além da liderança isolada na competeição.
Próxima parada? Domingo, dia 20 de fevereiro, às 11h00, em Lins. Linense e Portuguesa, em compromisso válido pela oitava rodada do Campeonato Paulista A2.
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