OPINIÃO: Tudo volta para o início
- joaobosconeto2005
- 30 de jan. de 2024
- 6 min de leitura
João Bosco Neto traz um panorama final da decisão da NFC e como se prepara o 49ers para o Super Bowl LVIII em fevereiro.

Os Lions foram ao Levi's Stadium em busca do sonho impossível: A primeira ida ao SuperBowl. Impossível pelo fato de enfrentar talvez o time mais regular na NFC nos últimos anos, com o melhor técnico da divisão um time já consolidado.
O trabalho de Detroit é muito positivo, porém, todos nós sabemos que Shanahan é um treinador bem mais completo que Dan Campbell e que o fato dos Niners terem mais recebedores, um QB melhor e uma defesa mais completa iria pesar todo o confronto para os donos da casa, porém, quase como um anime, o "poder da amizade" iria fazer estrago.
Ben Johnson, o melhor coordenador ofensivo de toda a liga, tinha um baralho inteiro na manga. Com um ataque basicamente pautado em Montgomery ou Gibbs, o Lions montou a primeira campanha em cima da capacidade da sua dupla de running backs quebrar e escapar de tackles, contudo, o primeiro TD saiu de uma incrivelmente bem desenhada corrida do recebedor Jameson Williams, uma jogada que lembra até as chamadas de seu rival neste jogo.
Quando a bola finalmente chegou na mão de Purdy, vimos um 49ers extremamente lento em relação ao seu adversário. A OL não sustentava as pressões, Purdy se via constantemente impossibilitado de passar para o meio do campo, e nas poucas vezes que conseguia esticar o passe, Aiyuk e Samuel estavam muito bem cobertos pelo cornerbacks adversários.
O jogo corrido chegou a encaixar algumas vezes, porém, Christian McAffrey tinha muitas dificuldades em avançar jardas com uma OL que era muito pesada e não conseguia mover o front adversário para o lado oposto. Com isso, os Niners terminaram seu primeiro drive em um field goal não convertido.
Com 7-0 na primeira campanha, os Lions teriam tranquilidade para trabalhar a bola na nova posse. Com uma estratégia um pouco diferente, Jared Goff extremamente bem protegido foi mais acionado, abrindo muitos passes laterais para Gibbs, Montgomery, St Brown e Williams, apostando nos bons screens feitos por seus bloqueadores e um caminhão de jardas pós recepção.
Realizando uma campanha propositalmente lenta, David Montgomery foi empurrado para dentro da endzone, marcando 14-0 e obviamente preocupando a comissão técnica dos 49ers, que não conseguiam crer em uma defesa tão passiva contra jogo corrido.
Tendo a posse, Shanahan mudou o estilo de seu ataque. Já que a OL não conseguia se mover, Purdy não tinha um dia de paz e seus recebedores estavam muito bem marcados, restou a ele passes laterais para Christian McAffrey aproveitar os espaços abertos pelas iscas do ataque e avançando até a endzone, onde precisou apenas infiltrar em uma corrida de 2 jardas para descontar o marcador.
Um TD seguido de um three and out dos Lions poderia significar a reação dos Niners, já que se marcassem um touchdown nesse drive, poderiam deixar os Lions com pouco tempo no cronômetro e ainda teriam a posse no segundo tempo, porém, uma interceptação boba de Purdy pôs tudo a perder. Com um ataque já mais misto entre passes curtos e corridas, pegou a defesa dos Niners totalmente de calça curta e mais um touchdown foi marcado. 21 a 7 era o placar e tudo que a franquia californiana queria era o intervalo.
No primeiro tempo ainda daria tempo de mais uma campanha improdutiva para San Francisco e um Field Goal para os Lions. Essa primeira etapa, indicava tudo bem encaminhado, o favorito ia cair e o cantor Eminem poderia comemorar alegremente a ida do seu time ao Super Bowl, pena que só parecia.
A bola oval voou para a segunda etapa e duas mudanças foram visíveis: Os Lions bem mais leves em relação a pressão e o front dos Niners funcionando melhor tanto na proteção como na abertura de espaços. Aparentemente o cansaço tomou conta de Detroit e eles guardaram tudo para a proteção da Redzone.
De cara, a primeira campanha foi bem positiva, porem, acabou em field goal, Moody acerta e ali a chama da esperança estava mais do que acesa.
Posse volta para Detroit e outra mudança é observada: Um Niners bem mais ligado na defesa, o pass rush passou a entrar, Nick Bosa passou a incomodar Goff, a liberdade dos corredores avançarem pelo meio do campo havia acabado, e o pressionado QB dos Lions teria que carregar o ataque sem seus principais escudeiros, o resultado? Campanha improdutiva com o camisa 16 passando muito mal a bola.
Com a marrom nas mãos, Purdy melhor protegido, mas confiante, teve mobilidade e fez um show de passes. Escapando de sacks, se mostrou muito bem em passes médios e longos e com uma campanha bem veloz, achou Brandon Aiyuk na endzone e deixou a diferença em apenas uma posse.
Pressionados, os Lions tentaram começar sua campanha com uma corrida, forma de gastar tempo, porém, eles não contavam com um fumble de Jahmyr Gibbs no primeiro snap. Posse de San Francisco, jogo na mão deles. Quatro jogadas foram necessárias para que novamente McAffrey voasse para dentro da endzone e empatasse o confronto que antes do intervalo estava praticamente definido. Para bom entendedor, meia palavra basta e todos ali sabiam que era questão de tempo a virada dos Niners.
A queda de qualidade no ataque dos Lions continuava, onde nem na redzone conseguiam chegar mais e com uma produção mínima de suas principais peças. Sem pontuar, a defesa teve de fazer tudo sozinha e enquanto os donos da casa queimavam relógio, os visitantes tentavam reduzir o estrago. A tarefa foi bem feita e a jogada terminou em field goal.
Os Lions foram para um tudo ou nada, um simples Field Goal empatava a partida. O passe insistia em não funcionar, as corridas até colocaram a equipe em boas posições, mas a decisão de Campbell em passar a bola em uma 4a para 3 jardas no canto de chutar a bola custaria a prorrogação lá na frente.
Purdy fez uma campanha primorosa, entre bons passes e uma corrida de 21 jardas, contou com a ajuda de CMC para chegar na primeira para o goal, que foi brilhantemente convertida por Elijah Mitchell e sacramentaria a ida ao super bowl. O drive rápido e competente de Goff não seria suficiente e os Lions encerravam sua passagem.
Quando o HC dos 49ers conseguiu mudar o rumo da sua equipe, ajeitar a OL e colocar o seu excelente playbook em campo, tudo fluiu normalmente. Ben Johnson é extremamente competente, porém, o primeiro tempo apático de San Francisco foi um facilitador e algo totalmente fora da curva.
Com mais experiência, reserva técnica e versatilidade, o segundo tempo foi um verdadeiro baile. Vimos toques clássicos do jogo californiano, mesmo que com uma atuação extremamente discreta do de George Kittle. Conseguir explorar o fundo do campo e achar caminhos através de motions foram as chaves para a ida ao SuperBowl.
Os Lions tiveram seus méritos, foram muito bem no primeiro tempo, contudo, faltou físico, peça e mentalidade para a equipe, que foi guerreira, merece os parabéns, mas que em caso de vitória, seria invasora na história alheia.
Kittle e Kyle Shanahan finalmente terão sua revanche após 4 temporadas. Mais maduros, cascudos e inteligentes, a trajetória culmina para o final feliz. Mesmo que não tenham sido brilhantes 100% dos playoffs, o roteiro da NFC culminava para esse reencontro, e os 49ers podem ser os protagonistas dessa história.
Brock Purdy pode não ser gênio, mas se os seus companheiros dão condições, ele é um enorme facilitador. Os 49ers são um time melhor, que aprendeu com os erros e que entendeu que vencer playoffs não é dar show, é ser competente quando exigido e ousado quando necessário. Contra os Packers abaixo da crítica, hoje, 50/50, porém, inevitavelmente o melhor time da NFC.
Obrigado por tudo Lions, sua história ainda não acabou, só não era a que essa temporada reservava. A San Francisco, toda sorte e competência para que tenhamos um excelente jogo e que todo esse playoff épico seja um grande plano de fundo para o encerramento triunfal de um projeto e um desafio aberto e criado na temporada passada.
Nós vemos no Super Bowl.
*As opiniões aqui emitidas, são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.
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