OPINIÕES AFC: Se provar ou continuar se provando?
- joaobosconeto2005
- 28 de jan. de 2024
- 5 min de leitura
Lamar Jackson e Patrick Mahomes se enfrentam na final da AFC em momentos bem distintos em suas carreiras. O camisa 8 ruma para o seu segundo MVP e quer a todo custo trazer o prometido Vince Lombardi novamente para Baltimore, enquanto o já bi campeão da NFL e duas vezes melhor jogador da liga, Patrick Mahomes, caminha para se colocar na mesma prateleira de Tom Brady.
"Running Back" "Wide Reciver" esses eram os "conselhos" da mídia americana e de alguns fãs do esporte quando o talentoso Lamar Demeatrice Jackson Jr, Quarterback de Louisville se declarou apto para o draft de 2018.
A fama de mal passador surgiu como uma inverdade, já que o atleta sempre se saiu bem no quesito, contudo, o fato da sua explosão e seu jogo corrido serem sua melhor característica, muita gente torceu o nariz para aquele jogador. Ao todo, 30 franquias tiveram medo dele não virar, de se lesionar feio com suas "imprudências" e o passaram, ao ponto de preferirem Sam Darnold e Josh Rosen ao jovem de Pompano Beach.
Os Ravens então decidiram gastar uma ficha nele, trocaram para a 32a escolha, a última da primeira rodada. O ganhador do Heisman 2016 fez questão de garantir que a aposta seria bem retornada e prometeu a Baltimore um SuperBowl já na sua primeira entrevista.
O jovem então chocaria a todos quando na sua segunda temporada venceria o MVP de maneira unanime, superando Mahomes e Russell Wilson e chocando a todos com uma segunda metade de temporada arrasadora. 36 TDs passados, 7 corridos, média de 7,8 jardas por passe e com apenas 6 interceptações, 5 delas na primeira parte da temporada.
Infelizmente a jornada do jogador mais valioso da liga foi encerrada no primeiro jogo dos playoffs. Sendo completamente engolido pela defesa dos Titans, o sonho do SuperBowl era adiado.
2020, o mesmo Titans, dessa vez, uma vitória, as coisas pareciam mudar de figura. No divisional, o Buffalo Bills do colega de draft Josh Allen, um confronto que passava um ar de rivalidade, a grande chance de Lamar mostrar para Buffalo que ele era a escolha certa naquela seleção, porém, novamente um passeio defensivo e Baltimore como um todo não marcou um misero touchdown.
Nas duas temporadas seguintes, o fantasma das lesões tiraram ele e o Baltimore dos playoffs de 2021 e uma nova lesão tirou apenas o quarterback da pós temporada de 2022.
Com resultados negativos e o índice alto de lesões, as criticas ao seu jogo voltaram, a fama de "pipoqueiro" o rondava, rumores de saída na free agency eram semanais, porém, a falta de reais interessados e a franchise tag de Baltimore manteve ele entre os corvos para mais uma temporada e junto disso o reforço do jovem Zay Flowers e do experiente Odell Beckham Jr.
Com um corpo de recebedores mais robusto, Lamar passeou durante a temporada regular e o passeio em cima dos 49ers nas semanas finais praticamente lhe garantiu seu segundo prêmio de melhor jogador da liga. Sem Joe Burrow, não foi difícil passear pela divisão durante a temporada e com melhores WR, pouco sentiu as lesões de Mark Andrews e JK Dobbins, anteriormente grandes desafogos para Lamar.
O "baile" distribuído em cima da sensação Houston Texans provou que o camisa 8 está mais pronto do que nunca para decisões. Apesar de um primeiro tempo mais lento, conseguiu anotar um TD e após os ajustes necessários na OL, tomou o jogo para si e finalmente conseguiu alcançar uma final de conferência.
O seu adversário passou pela temporada mais estressante da sua carreira. Patrick Mahomes, um ano mais velho e um draft mais cedo que Lamar, é um verdadeiro fenômeno. Na sua primeira temporada, o número "simbólico" de 50 TDs e uma ida para as finais da AFC, sendo derrotado pela maior dinastia que a liga já viu.
A temporada 2019 foi a consagração. o primeiro titulo chegou para o "baby GOAT". Somando 10 TDs nos Playoffs, bateu o forte San Francisco 49ers para conquistar seu primeiro Lombardi. Ali muitos percebiam que nasceria um monstro.
No ano seguinte, mais um Super Bowl, porém o primeiro arquirrival estaria ali de novo e em um recital de pressões de Tampa, Brady abria 2-0 contra Mahomes em playoffs e conquistava o 7o anel em cima do seu sucessor como rosto da liga.
O Camisa 15 voltou mordido e formando um ataque bastante explosivo com Travis Kelce e Tyrek Hill protagonizou um dos maiores jogos da história da NFL, com direito a prorrogação e mudança de regra para a temporada seguinte, porém, na sua melhor característica, trabalhou bem com relógio curto e garantiu a prorrogação e o FG da vitória. No jogo seguinte, um inspiradíssimo Joe Burrow manteve o tabu de campeões consecutivos em pé.
Sem Hill, todos imaginavam que seria um ano ainda mais difícil para Mahomes e sua turma. Porém, mesmo sem o melhor WR da liga, o astro bateu seu recorde de jardas, anotou 41 TDs e garantiu a seed 1. Nos Playoffs, jogo em definido em uma posse contra Jacksonville, um verdadeiro tiroteio contra os Bengals e a revanche da AFC Championship Game do ano anterior.
Contra o Eagles, mais um tiroteio, só que com um plano de jogo impecável, foram 3 touchdowns e nenhuma interceptação para o MVP, que venceu um inspiradíssimo Jalen Hurts que contava com recebedores consideravelmente melhores.
Por incrível que pareça, o corpo de recebedores piorou ainda mais para essa temporada e o azar da decadência de Travis Kelce botaram a prova até onde iria a qualidade de Mahomes. Mais cauteloso, preciso, necessitando mais do jogo corrido e rodando mais os alvos, não foi tão brilhante na temporada regular, mas garantiu mais uma temporada nos playoffs. Mesmo assim, as constantes frustações mostradas na beira do campo preocupavam o público para a fase seguinte.
Na pós temporada, um jogo morno e se confiando no bom trabalho defensivo, avançou de fase. No divisonal, 3o confronto em 4 anos contra Buffalo, mas dessa vez, tudo apontava para a franquia de Josh Allen já que eles haviam terminado a temporada em alta e venceram com autoridade o fraco Pittsburgh Steelers.
Um jogo que começou como tiroteio, terminou no xadrez de coordenadores. Mahomes fez a sua parte, executou com perfeição o que deveria ser feito, contou com uma grande atuação de Kelce e um recital de James Cook, além de agradecer e muito ao vento que colocou o chute de Tyler Bass muito a direita.
Patrick Mahomes praticamente está garantido no Hall da Fama, agora trabalha apenas para se colocar indiscutivelmente como o melhor jogador de sua geração e como um QB top3 na história. Já se provou inúmeras vezes, se mostra cada vez mais competitivo e inteligente, mesmo com a queda de qualidade de seus parceiros de ataque.
Quanto mais provas chegam, mais 10's e A's são postos no boletim desse gênio, que caminha não só para deixar um legado imenso, como também estabelecer uma segunda dinastia em um esporte tão mutável e competitivo.
Entre alguém que precisa constantemente se provar e alguém que constantemente se prova, eu prefiro acompanhar um belíssimo duelo entre dois gênios do esporte, que tem histórias distintas e parecidas em vários pontos, mas que tem o mesmo objetivo nesse jogo: chegar à terra prometida.
*As opiniões aqui emitidas são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.
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